quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Hoje choveu...

Os dias chuvosos são sempre aqueles em que as decisões fracturantes adquirem uma forma mais concreta.


O tempo é propicio a olhar para dentro com introspecção, e um acumular de reflexões perdidas nos dias que se perderam vivendo intensamente. è nestes dias que paramos e balanceamos as dúvidas acumuladas, e enfrentamos os fantasmas que fomos alojando no armário.


A chuva leva tudo consigo, molha o corpo, aquece o coração e lava a alma, e quando nos libertamos de angústias e fúteis ansiedades, aí sim olhamos em volta e vemos o mundo como ele é.


Agora sim vejo...

sábado, 17 de outubro de 2009

Mesclas de destino

Os trilhos de terra que corro vão cansando o corpo e afastando tudo até que fica só o vazio, o pensar no próximo passo a concentração no exercício é total a respiração controla-se, por um mundo esvazio-me do vazio do mundo, da clausura de um labirinto de sentimentos, mas não é por isso que deixo de sentir-te a falta.


As vicissitudes da vida fazem-me caminhar sem destino a névoa mescla-se com as certezas, e a incerteza do futuro é para mim evidente, os meus planos de vida desmoronam-se catastroficamente de fronte dos meus olhos. deixei de fazer planos.


O futuro é apenas uma lista de coisas a fazer sem ordem ou razão aparente, unidas apenas pela felicidade que poderemos retirar delas.


Resolvi entrgar-me ás minhas paixões à escrita. Aquela em que descrevo as emoções com as palavras e aquela com que deixo a luz ser a minha caneta e capto momentos do mundo como os sinto.


Vivo o momento, até que seja o momento de viver algo mais profundo. A solidão vai moldando-me e tornando-me resiliente ás rasteiras que o mundo tem para pregar.


Cape diem

sábado, 10 de outubro de 2009

Sem palavras...

As memórias, são restos do que já foi, guardo todas as da dor mas também aquelas que nos lembram porque devemos encarar o dia a dia como se não tivéssemos o coração esfrangalhado por um qualquer sentimento.


Hoje não saí de casa, empenhei o dia a arrumar o meu quarto encontrei-te congelada em fotos sorrindo piscando o olho, com cara de parva, de assustada,(e tantas outras) e relembrei todas as outras que fizeste para mim.


Hoje foi o dia em que realmente te deixei partir, as lágrimas caíram tímidas sobre as fotos, que pendurei naquele quadro de cortiça.


Não te vou esquecer.


Sei que hoje não foi o último dia que chorei a tua ausência, ainda estás muito presente em tudo. Mesmo do outro lado do mundo sempre conseguiste entender-me, sempre me leste nas entrelinhas, nos olhares que descaiam para o lado quando o peito pesava. Quando a voz mudava escondendo a dor, mas também na alegria contida de uma surpresa que te havia preparado.


Ficam as fotos, os vídeos, mas também as conversas pela noite dentro em que falando de tudo afugentávamos o sono e adormecíamos no sofá abraçados.


Ficam os passeios que preparávamos um, para o outro desfrutar sozinho, quando o destino nos apartava por tempo de mais. Era a nossa forma de estarmos perto memso estando longe.


Ficam também aqueles que demos juntos desfrutando um do outro, caminhando fotografando, e fazendo com que a vida valesse a pena.


Ficam as noites em que chorava-mos as nossas mágoas nos braços um do outro.


Fica, depois da paixão que nos uniu, a amizade que nos juntou ainda mais...


Mas mais que tudo isso ficas em mim nas memórias boas e más, mas mais ainda nas marcas que deixaste em mim, e na forma como a pouco e pouco me moldaste na pessoa que sou hoje.


Ontem refiz aquele caminho, fotografei sem ti, mas senti-te vi-te pousando para mim quando trepaste as rochas e clamavas conquistar o mundo.


Não foi adeus nem até já, porque Tu vais fazer sempre parte de mim...


Agora que não te posso ver espero por ti nos meus sonhos.


Beijo

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Não foi ao pôr do sol


A luz do dia vai-se esvaindo, nas sombras que se erguem maiores e mais escuras...

Os demónios não são aqueles que se escondem nas sombras, mas sim aqueles que se disfarçam de anjos...

Hoje tive fé, saltei, mas não voei, as minhas asas eram afinal como as de Ícaro, e o sol estava quente fez o seu papel... Caí

Dói, mas a dor quando passa deixa a sabedoria que só os erros cometidos podem mostrar...

O tempo a espaços, cura as feridas mais profundas e mostra-nos a realidade vazia de sonhos, nua crua, mas verdadeira...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ao pé do mar II

Caminhas em frente olhando o nevoeiro que te tolda o horizonte, atrás de ti o trilho de pegadas que deixaste desaparece á mercê dos elementos.


Sentes-te perdida no meio entre algo que já não és e de alguém que ainda não conheces. O teu Eu redefine-se em cada acção que tomas, em cada gesto de que és protagonista.


O reconhecer desta situação de indefinição relembra-te uma frase que te inquietou á uns meses “A vida faz-se caminhando, descobre-se arriscando e conquista-se com saltos de fé”


As palavras só têem poder se acreditarmos nelas, e estas embrenharam-se em ti, o suficiente para as queres viver. Falta agora conquistares o teu caminho.


O nevoeiro em frente esconde não o teu caminho mas o desafio á fé que depositas em ti.


Suspiras levantas-te abandonas a praia, deixando na areia as dúvidas mas também as perguntas. Hoje o mundo não mudou à tua volta, mas tu mudaste o mundo dentro de ti.


Forjaste mais uma batalha no árduo caminho que levarás até encontrares contigo e com o mundo.


sábado, 3 de outubro de 2009

Ao pé do mar

Começaste por te sentar para lá da duna, naquele lugar onde o mar se vai mesclando na areia, ao sabor das ondas que não cessam. O dia cinzento e ventoso envolve-te nos teus pensamentos. A processo introspectivo leva-te a momentos que preferias que fossem estórias e não fragmentos da tua juventude que começa a acabar.


Olhas o mar procurando respostas, escutas o barulho das ondas, mas elas não trazem respostas que procuras. Essas, como as perguntas que trazes estão escondidas dentro de ti.


Vieste até aqui por que precisas de pensar, e deixar que as ondas levem as dúvidas que tens.


Suspiras profundamente.


Dentro de ti gritas com o mundo por não te compreender, por não ser o lugar que sonhas-te, mesmo sabendo que os sonhos estão repletos de lugares ideais que só o são se os vires como queres ver.


Levantas-te começas a caminhar por cima da areia que as ondas alisaram, sorris, vês o mundo como os olhos o vêem e não como o coração queria que fosse.


Achas graça, agora, á ansiedade que viveste por sonhos que podiam ter sido o presente mas que foram apenas lágrimas derramadas no passado.


A distancia do tempo retira a intensidade das emoções mas oferecete em troca uma visão renovada do que foste do que vives agora e daquela para quem, por cima da areia caminhas para ser.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O jazz que se faz ouvir ao fundo mescla-se de forma perfeita com a meia luz do espaço, espero sentado fazendo companhia a um vodka morango que vai desaparecendo ao poucos.

Esperar é algo que me angustia, mas que por chegar a horas é um lugar comum do dia a dia. É incrível como a nossa percepção de um espaço quando esperamos é totalmente diferente. De facto enquanto esperamos damos por nós a contemplar a decoração as cores a forma como combinam com as luzes.

Escutamos a playlist com atenção seguimos atentamente os empregados, acabamos por conhecer os seus pequenos tiques, decoramos a lista, os preços, olhamos em volta e reparamos o que se passa nas outras mesas.

Olhamos para o relógio, vezes sem conta e de seguida para o telemovel clamando por uma qualquer prova de vida, a ansiedade começa a notar-se, mexemos no cabelo interrogamo-nos se se esqueceram de nós, se terá acontecido algo.

Nesta altura procuramos um guardanapo e uma caneta para fazermos desenhos tentando que o tempo se escorra mais rápido. Em volta as pessoas já reparam que estamos ansiosos que olhamos para a porta esperando que entre que esperamos que nos salvem de tal situação.

Na altura em que já nos preparamos para pagar e sair vem a sacramental sms que custuma referir um atraso de alguns minutos e um elaborado pedido de desculpa.

Pergunta: Se existem telemoveis e as pessoas combinam horários porque raio é que as pessoas só selembram de uma mensagem a dizer que se vão atrasar 15 a 20 minutos da hora combinada.?

Resporta: Isso já não é avisar é constatar a realidade. GRRRRRRRRR

Ps. Não custa nada, se sabem que se vão atrasar, AVISEM ANTES e avisem também o tempo estimado de atraso, e não utilizem a irrtante 5 minutos quando ainda estão a a sair de casa e sabem que vão demorar o dobro.

Portugueses vamos mudar este traço cultural e começara a chegara a horas.